Postado em: 17 dezembro, 2025

Evento celebra encerramento do curso Território Educador

Em parceria com o SETA, o Território Educador formou cerca de 1.200 profissionais de educação

Em parceria com o SETA, o Território Educador formou cerca de 1.200 profissionais de educação

No dia 3 de dezembro, o tradicional Clube Renascença, no Andaraí, Zona Norte do Rio, foi palco do encerramento das atividades do curso Território Educador, promovido pela Gerência de Relações Étnico-raciais (GERER), da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, em parceria com o Projeto SETA.

O evento reuniu, principalmente, professores, gestores escolares, representantes da SME RJ e, também, a equipe do SETA, representada por Maria Correa e Luciana Ribeiro, Consultora em Articulação e Especialista em Educação da iniciativa, respectivamente. Além de Caroline Silva, Especialista em Educação e Infâncias da ActionAid.

A festa marcou um importante momento de reconhecimento e valorização dos educadores e educadoras que, ao longo do ano, participaram de formações voltadas à promoção da equidade racial na educação, e disponibilizou ferramentas para a construção de práticas pedagógicas alinhadas à equidade racial e ao reconhecimento do Currículo Carioca como um instrumento de combate ao racismo e promoção da inclusão.

“Esse é um curso que envolve a formação dos professores, o planejamento técnico da implementação das Leis 10.639 e 11.645, incidindo diretamente nas escolas. Em termos de números, somos a maior rede pública da América Latina, com 1.557 unidades. É muito importante que haja esse programa, porque ele não demanda somente que o professor assista a formação, volte para a escola e faça o seu próprio trabalho. Esse educador tem a função de ser um multiplicador. Por isso, tudo aquilo que ele aprender no curso vira o próprio plano de ação da unidade escolar, envolvendo os parceiros, a direção, a comunidade e, consequentemente, impactando muito melhor e mais eficientemente os nossos alunos”, comenta Joana Oscar, Coordenadora da GERER.

Glossário climático pelo olhar de crianças e adolescentes 

O encontro simbolizou o sucesso da parceria na construção de um ecossistema educacional comprometido com a justiça racial, responsável por formar cerca de 1.200 profissionais da educação do município carioca. Diretamente, mais de 50 mil alunos são beneficiados pelo projeto.

Para Karoline Kass, Especialista em Educação do SETA, a iniciativa com a GERER representa um case de sucesso no que tange as articulações com secretarias de educação. “A partir dessa colaboração, que dura desde o ano zero do projeto, tivemos a oportunidade de desenvolver uma metodologia de atuação que dialoga com as necessidades da rede, aliada às ferramentas para equidade racial que criamos na coalizão SETA”, conta a profissional. 

A tarde de encerramento do Território Educador contou, ainda, com apresentações culturais, entre elas da Orquestra Popular Manoel Congo, da Escola Municipal Herbert Moses, do Bairro Jardim América. E, também, com a distribuição do documento Pequenos grandes saberes: Um glossário climático pelo olhar de crianças e adolescentes”, elaborado pela ActionAid, que reúne relatos e desenhos de 350 crianças e adolescentes, entre 7 e 17 anos, que vivem em territórios afetados por racismo ambiental.

A escolha do Renascença, espaço histórico da cultura negra carioca, reforçou o simbolismo da celebração, destacando a importância de reconhecer e valorizar os saberes e territórios que sustentam a luta por equidade no ensino.

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O racismo estrutural no Brasil tem dificultado, de forma sistêmica, o acesso ao direito a uma educação pública igualitária e de qualidade pelos estudantes negros, quilombolas e indígenas. A qualidade da educação que as crianças recebem no Brasil é profundamente segmentada por status racial e socioeconômico. E, hoje, identifica-se que as lacunas entre crianças brancas e crianças negras, quilombolas e indígenas, em todos os indicadores da educação básica, são persistentes e mais graves para jovens de 11 a 17 anos. Crianças e jovens negros, quilombolas e indígenas são os mais propensos a abandonar a escola, têm maiores taxas de exclusão e menor nível educacional. Portanto, a eles são destinados os empregos de menor prestígio e salários mais baixos quando adultos. Enquanto isso, os alunos brancos internalizam as desigualdades raciais a que são expostos nas escolas e as replicam quando adultos. Quando se observa os indicadores de aprendizagem, conclui-se também que não há apenas mais barreiras de acesso à escola para crianças negras, quilombolas e indígenas, mas, que uma vez na escola, essas crianças são menos propensas a acessar à educação de qualidade.

O Projeto SETA busca realizar ações transformadoras com base em evidências resultantes de estudos que ajudam a compreender a complexidade das relações raciais no país e as problemáticas delas decorrentes que precisam ser enfrentadas. Neste sentido, prevê uma série de estudos com recortes nacional e regionais em seus territórios de intervenção, especialmente no Amazonas, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é mapear a percepção da sociedade em geral, de profissionais da educação e estudantes sobre o racismo, as desigualdades raciais em geral e na educação, a efetividade das políticas de combate ao racismo, as lacunas de ferramentas e metodologias para fomento à equidade racial e as estratégicas bem-sucedidas e boas práticas nacionais e internacionais que podem inspirar ações de valorização da diversidade e das diferenças e de mitigação das desigualdades, especialmente na área de educação.

1) Pesquisa bianual de mapeamento de público sobre percepções do racismo pela sociedade brasileira.
2) Grupos focais bianuais sobre percepções do racismo pelas comunidades escolares.
3) Monitoramento e avaliação dos indicadores educacionais com análise dos indicadores da educação com foco em raça, gênero e território.
4) Estudos liderados pelas organizações que compõem o Projeto SETA sobre “educação escolar indígena”, “educação escolar quilombola”, “trajetória educacional de meninas negras”, “juventude negra, educação e violência”, “impacto da reforma do ensino médio no aprofundamento das desigualdades educacionais” e “construção participativa de indicadores e diagnóstico sobre qualidade na educação e relações raciais”.
Todas essas produções são/serão disponibilizadas publicamente para auxiliar a sociedade na construção de narrativas qualificadas, com base no retrato da realidade, em defesa da equidade racial na educação, além de orientar ações do projeto.

O PROJETO SETA – SISTEMA DE EDUCAÇÃO PARA UMA TRANSFORMAÇÃO ANTIRRACISTA É UM PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO W. K. KELLOGG, DESDE 2021, QUE REÚNE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM ATUAÇÃO CONJUNTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANTIRRACISTA E DE QUALIDADE.