Postado em: 29 agosto, 2025
Parceria do SETA com a SMERJ fortalece o ensino da educação antirracista
Mais de 1.500 escolas do Município do Rio são contempladas com a formação da educação antirracista
Em parceria com o Projeto SETA, a Gerência de Relações Étnico-Raciais (GERER), da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SMERJ), investe na formação continuada de professores da rede com foco na implementação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas.
A colaboração consiste na estratégia de atuação do SETA Caminhos Possíveis, onde são firmadas alianças com as secretarias de educação dos territórios prioritários de atuação do projeto: Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas, Bahia e Maranhão.
Para Karoline Kass, Especialista em Educação do SETA, a iniciativa com a GERER representa um case de sucesso no que tange as articulações com secretarias de educação. “A partir dessa colaboração, que dura desde o ano zero do projeto, tivemos a oportunidade de desenvolver uma metodologia de atuação que dialoga com as necessidades da rede, aliada às ferramentas para equidade racial que criamos na coalizão SETA”, comenta a profissional.
Educação antirracista para profissionais de educação
A GERER contempla cerca de 1.557 escolas no município do Rio de Janeiro, e tem cerca de 53 mil profissionais envolvidos. De acordo com Joana Oscar, Coordenadora da GERER, o SETA contribuiu com expertise técnica, teórica e metodológica, além do diagnóstico, repertório em dados e recomendações da sociedade civil e do ativismo antirracista para o olhar específico sobre a educação básica.
“Muito se falava sobre a educação antirracista e, discursivamente, já havíamos avançado nessa compreensão. Porém, nossos docentes desejam ter um direcionamento. Desta forma, foi indispensável contar com esse apoio, que, unido às premissas da gestão e às especificidades culturais, históricas e de pertencimento do território do Rio de Janeiro, alcançaram um desenho de política pública de formação continuada que engloba todos os eixos da política nacional para a equidade étnico-racial”, explica Joana.
A parceria entre o SETA e a GERER já alcançou, com formação continuada, um alto número de profissionais técnicos da secretaria. Atualmente, pelo menos um profissional de cada unidade escolar recebe essa formação. Com isso, a Gerência de Relações Étnico-Raciais percebe, segundo Joana, um maior engajamento e amadurecimento no planejamento das ações, além de notar os impactos não previamente calculados, como a maior procura de profissionais por outros percursos formativos, qualificando ainda mais a pauta antirracista nas escolas.
Passo a passo para a formação
O ensino continuado aos profissionais de educação com base na Lei 10.639/03 exige um passo a passo rigoroso a fim de que esses educadores saiam aptos a implementar os conteúdos de educação antirracista nos ambientes educacionais que trabalham. Para isso, o SETA implementa uma metodologia dividida em etapas com o objetivo de contemplar esses aprendizados e, ainda, monitorar e avaliar essa formação.
A primeira etapa consiste em conhecer a rede de ensino e o território. Nela, o projeto oferece ferramentas metodológicas a fim de compreender a realidade da implementação de Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) na rede: fortalezas, fraquezas, desafios, obstáculos e acúmulos. Depois, é aplicado, então, o Diagnóstico de Gestão Educacional na rede, e os resultados são analisados em conjunto com a equipe técnica da Secretaria e a equipe SETA a fim de apresentar recomendações para o avanço da agenda na gestão local e a construção do Plano de Ação.
Além dessas etapas, o projeto acompanha e avalia as ações implementadas junto às Secretarias de Educação, com foco na produção de um relatório que registra os avanços nos indicadores de institucionalidade de ERER e de equidade racial.
“Temos a compreensão de que as ações desenvolvidas no âmbito do SETA podem gerar legados e boas práticas para as secretarias, que irão impulsionar o processo de transformação sistêmica”, finaliza Karoline Kass.