Postado em: 22 outubro, 2025
Publicação resgata o legado de Azoilda Loretto da Trindade
Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, no Rio de Janeiro, recebe lançamento do caderno em homenagem à Azoilda Trindade
O primeiro dia de outubro, para o Projeto SETA, foi marcado por uma ocasião pra lá de especial: foi o lançamento do caderno “Afro memória – Especial Azoilda Trindade“, publicação que resgata, através de oito textos inéditos, o legado da educadora. O material é resultado de uma parceria inédita entre o Afro-Cebrap e o SETA.
Durante o evento, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), localizado na Gamboa, Rio de Janeiro (RJ), recebeu diversos convidados para o lançamento da obra, que inclui textos de Ana Paula Brandão, Maria Corrêa, Luciana Ribeiro e Daniela Vieira, Gestora, Consultora em Articulação, Especialista em Educação, e Especialista em Articulação, respectivamente, do Projeto SETA.
“A atuação e o pensamento de Azoilda Trindade também seguem como referência central no Projeto SETA para o desenvolvimento de práticas e metodologias educacionais comprometidas com a equidade racial, e isso aparece nos artigos escritos pelas integrantes da equipe no exemplar. Reconhecemos que não é possível avançar na construção de um ecossistema escolar verdadeiramente antirracista e na efetiva implementação das Leis 10.639, de 2003, e 11.645, de 2008, sem considerar sua contribuição fundamental”, afirma Ana Paula Brandão, Gestora do Projeto SETA.
Legado de Azoilda Trindade
A mesa, composta por Paulo Ramos, Coordenador do Afro-Cebrap, Janete Ribeiro, Historiadora e Mestra em Educação, e Luciana Ribeiro, do SETA, discutiu sobre o processo de criação do caderno e o legado de Azoilda Trindade para a educação antirracista. De acordo com Ramos, a publicação faz parte de um esforço coletivo, que é o projeto Afro-memória, consolidado como uma das principais iniciativas de preservação e difusão de acervos negros no Brasil. A cada volume, a iniciativa amplia a circulação de memórias, linguagens e trajetórias que marcam a experiência negra no país, conectando especialistas, pesquisadores e o público em geral.
Luciana Ribeiro, do SETA, trouxe para a conversa o pensamento de Azoilda sobre os valores civilizatórios afro-brasileiros como uma prática dentro da escola, mas, sobretudo, no cuidado da educadora com o currículo escolar.
“Como vamos falar sobre racismo se temos um sistema de educação que é tecnicista? Que passa apenas uma concepção de transcrição de conhecimento? Como é que eu vou falar para uma maioria nacional de professores e gestores que essa performance precisa ser realizada em todos os espaços escolares?”, refletiu . Para a profissional, é necessário desmontar o sistema de educação do país e repensar outro modelo, que não seja só o de construção de conhecimento.
A historiadora Janete Ribeiro dividiu com os participantes sobre ter aprendido com Azoilda que a invisibilidade é a morte em vida. De acordo com ela, a educadora entendia que a maioria da população negra estava no ensino público. Então, havia um compromisso visceral com a mudança e com a transformação. Para Janete, escrever o caderno em homenagem ao legado de Azoilda Trindade foi relembrar as histórias que ainda estão por aí.
O apoio do Projeto SETA à edição reflete os vínculos afetivos e intelectuais que a equipe da iniciativa mantém com o legado da educadora. Essa relação foi inicialmente construída a partir da participação no projeto “A Cor da Cultura”, do Canal Futura, iniciativa voltada à valorização do patrimônio histórico e cultural afro-brasileiro e indígena, por meio da promoção da educação das relações étnico-raciais (ERER).