Postado em: 26 maio, 2025

Enem: pré-vestibulares auxiliam na preparação para o exame

Enem alunos se preparam para a prova - Freepik

Inscrições para o Enem iniciam nesta segunda-feira, 26 de maio 

 

Nesta segunda-feira, 26 de maio, começam as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a principal porta de entrada para as Universidades públicas e privadas do país. Com provas marcadas para 9 e 16 de novembro, os candidatos iniciam desde já um processo intensificado de preparação, buscando consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo dos anos. Para isso, recorrem a cursinhos preparatórios, que oferecem uma oportunidade valiosa de revisitar os conteúdos exigidos nas provas e reforçam os estudos rumo à tão sonhada vaga.

A UNEafro Brasil, iniciativa que compõem a aliança do Projeto SETA, tem como objetivo  transformar a rede pública escolar brasileira em um ecossistema de qualidade social antirracista, e possui 32 núcleos de cursinhos populares em todo o território nacional, com isso, auxilia os candidatos que não têm acesso aos preparatórios particulares. 

“Esse trabalho da UNEafro se consolidou com o modelo de sistema de ensino pautado pela educação das relações étnico-raciais, com o objetivo de reorganizar e fortalecer as trajetórias acadêmicas desses adolescentes, e proporcionar o alcance de uma cadeira no Ensino Superior e o acesso ao técnico profissionalizante”, comenta Cristina Assunção, representante da UNEafro Brasil.

Aprendizado direcionado para provas do Enem

No Rio de Janeiro, o município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, é um dos locais onde a UNEafro está presente. Por lá, o Pré-Vestibular Casa Quilombel, que tem dois anos de atuação, já atendeu mais de 100 alunos e soma três aprovações no Ensino Superior.  

Para Vanessa Vicente, coordenadora do pré-vestibular, com acesso ao curso, os alunos têm a oportunidade de um aprendizado mais direcionado para as provas e podem contar com a ajuda dos professores e da coordenação. “Além desse suporte, os estudantes têm a oportunidade de um espaço de troca onde suas vivências são parte do aprendizado, como aulas de campo, passeios e cineclubes. Essas atividades enriquecem o conteúdo pedagógico”, diz Vanessa. 

 

Jamais volte para sua quebrada de mãos e mente vazias

O trecho da música, “Levanta e anda, do rapper Emicida, exemplifica a caminhada da estudante de economia Amanda Santos, que também é professora da turma de pré-vestibular da Ocupação Nove de Julho, localizada no Bairro de Bela Vista, em São Paulo. 

A jovem de 19 de anos foi aluna do curso e, após conquistar uma vaga no Ensino Superior através do Enem, retornou para o local como professora. “Voltando como educadora, tenho a oportunidade de me ver naquele aluno e de poder saber que eu posso transformar aquela vida da mesma forma como a minha foi transformada. Quando eu entrei no cursinho, tive um professor que sempre me incentivou, principalmente, nos momentos em que eu quis desistir. Hoje, com o meu trabalho, posso oferecer esse suporte”, salienta Amanda. 

De acordo com a universitária, o vestibular é um processo excludente, doloroso e individual. “Constantemente, somos empurrados a crer que estamos sempre numa disputa, porém isso não é uma verdade. A disputa é contra o sistema, não contra a gente ou contra os nossos”, declara.

Desigualdade marca o percurso nas provas do Enem

A edição de 2024, teve como tema a redação “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), dos mais de 3 milhões de participantes, somente 12 tiraram a nota máxima. Desses, apenas uma aluna é de escola públicaO número de notas máximas foi o menor dos últimos dez anos.

Para Ana Paula Brandão, Gestora do Projeto SETA, a desigualdade é uma das explicações para a ausência de alunos de escolas públicas em listas como as de notas máximas na redação. “Não estamos falando de capacidade, mas, sim, de orçamento, de planejamento e de vontade política. Os estados precisam investir mais na formação continuada de seus professores, na construção de um plano político pedagógico mais dialogado com a sua comunidade escolar, no desenvolvimento de uma cultura escolar inclusiva, participativa e democrática”, comenta. 

De acordo com Luciana Ribeiro, Especialista em Educação do SETA, os resultados, do ponto de vista do campo da educação, fazem parte de um conjunto de ações sistêmicas que contribuem na qualidade educacional de crianças e jovens, sobretudo indígenas, negros e quilombolas, e a ausência da implementação de uma educação antirracista é um destes fatores.

 


As inscrições para o Enem 2025 ficarão disponíveis entre os dias 26 de maio e 06 de junho, exclusivamente no site do INEP, na página “Portal do participante”. Para os candidatos que tiveram o pedido de isenção indeferido, a taxa de inscrição é de R$85,00. Mais informações através do site: https://enem.inep.gov.br/participante/#!/

 

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O racismo estrutural no Brasil tem dificultado, de forma sistêmica, o acesso ao direito a uma educação pública igualitária e de qualidade pelos estudantes negros, quilombolas e indígenas. A qualidade da educação que as crianças recebem no Brasil é profundamente segmentada por status racial e socioeconômico. E, hoje, identifica-se que as lacunas entre crianças brancas e crianças negras, quilombolas e indígenas, em todos os indicadores da educação básica, são persistentes e mais graves para jovens de 11 a 17 anos. Crianças e jovens negros, quilombolas e indígenas são os mais propensos a abandonar a escola, têm maiores taxas de exclusão e menor nível educacional. Portanto, a eles são destinados os empregos de menor prestígio e salários mais baixos quando adultos. Enquanto isso, os alunos brancos internalizam as desigualdades raciais a que são expostos nas escolas e as replicam quando adultos. Quando se observa os indicadores de aprendizagem, conclui-se também que não há apenas mais barreiras de acesso à escola para crianças negras, quilombolas e indígenas, mas, que uma vez na escola, essas crianças são menos propensas a acessar à educação de qualidade.

O Projeto SETA busca realizar ações transformadoras com base em evidências resultantes de estudos que ajudam a compreender a complexidade das relações raciais no país e as problemáticas delas decorrentes que precisam ser enfrentadas. Neste sentido, prevê uma série de estudos com recortes nacional e regionais em seus territórios de intervenção, especialmente no Amazonas, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é mapear a percepção da sociedade em geral, de profissionais da educação e estudantes sobre o racismo, as desigualdades raciais em geral e na educação, a efetividade das políticas de combate ao racismo, as lacunas de ferramentas e metodologias para fomento à equidade racial e as estratégicas bem-sucedidas e boas práticas nacionais e internacionais que podem inspirar ações de valorização da diversidade e das diferenças e de mitigação das desigualdades, especialmente na área de educação.

1) Pesquisa bianual de mapeamento de público sobre percepções do racismo pela sociedade brasileira.
2) Grupos focais bianuais sobre percepções do racismo pelas comunidades escolares.
3) Monitoramento e avaliação dos indicadores educacionais com análise dos indicadores da educação com foco em raça, gênero e território.
4) Estudos liderados pelas organizações que compõem o Projeto SETA sobre “educação escolar indígena”, “educação escolar quilombola”, “trajetória educacional de meninas negras”, “juventude negra, educação e violência”, “impacto da reforma do ensino médio no aprofundamento das desigualdades educacionais” e “construção participativa de indicadores e diagnóstico sobre qualidade na educação e relações raciais”.
Todas essas produções são/serão disponibilizadas publicamente para auxiliar a sociedade na construção de narrativas qualificadas, com base no retrato da realidade, em defesa da equidade racial na educação, além de orientar ações do projeto.

O PROJETO SETA – SISTEMA DE EDUCAÇÃO PARA UMA TRANSFORMAÇÃO ANTIRRACISTA É UM PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO W. K. KELLOGG, DESDE 2021, QUE REÚNE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM ATUAÇÃO CONJUNTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANTIRRACISTA E DE QUALIDADE.