Postado em: 12 maio, 2025

Encontro com lideranças jovens marca segundo dia do “Experiência de Aprendizagem sobre Equidade Racial 2030”

Evento reúne lideranças jovens da UNEafro Brasil

Na Ocupação 9 de julho, os participantes do evento tiveram a oportunidade de conhecer histórias inspiradoras de lideranças jovens da UNEafro Brasil

Como já contamos ao longo dos últimos dias, na cobertura do encontro, a programação do evento foi repleta de atividades educativas e inspiradoras

O segundo dia da agenda iniciou com um passeio guiado pelo bairro da Liberdade, no centro de São Paulo. Durante o percurso, os participantes conheceram a história de uma das principais regiões  da capital paulista. A parada seguinte foi na Ocupação 9 de julho, onde os convidados tiveram acesso às experiências de lideranças jovens ligadas à UNEafro Brasil, organização que faz parte da aliança do Projeto SETA

Significado histórico e cultural

A Liberdade é conhecida, atualmente, como um bairro japonês, mas carrega um relevante significado histórico e cultural para as comunidades afro-brasileiras. Isso porque entre os séculos XVIII e XIX foi refúgio para uma comunidade negra, que também incluía pessoas escravizadas. Com isso, além de ser um destino de abrigo, era, ainda, um local de resistência e opressão para essa população.  

Seguindo o trajeto, foi a vez de visitar o Vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde os presentes  puderam ter uma visão do alto da Avenida 9 de julho. 

Lideranças jovens no centro 

A segunda parte do dia foi dedicada a uma conversa inspiradora com jovens ligados à UNEafro Brasil. A mesa de conversa foi composta por Amanda Santos, estudante de economia e professora de matemática do curso de pré-vestibular da Ocupação; Stefany Lourenço, graduanda de letras e professora de português do cursinho; e Malick Gomes, integrante do “Ngungas”, projeto de educação, apoiado pelo SETA que é destinado para meninos negros. 

Viver é partir, voltar e repartir 

Inspiradas pelo trecho “jamais volte pra sua quebrada de mãos e mente vazia”, da canção “Levanta e anda”, do rapper Emicida, Amanda e Stefany se dedicam a inspirar jovens que, assim como elas, buscam mudanças e transformações de vida. 

Frutos de um dos 32 núcleos de cursinhos populares organizados pela UNEafro –  e espelhados pelo Brasil, as jovens tiveram a oportunidade de serem alunas, conquistar a tão sonhada vaga no Ensino Superior e, mais tarde, tornarem-se professoras dos respectivos pré-vestibulares onde estudaram.

Voltar com esse papel de educador é uma responsabilidade muito grande. Há pouco tempo, eu estava do lado de lá recebendo esse suporte. E ter essa oportunidade como professora e continuar mantendo o meu cursinho vivo, o meu núcleo vivo, para que outras pessoas tenham a vida transformada é muito gratificante”, destacou Amanda Santos. 

Para Stefany, aluna do 9º período de Letras, a experiência que teve durante a formação foi fundamental para entender sua relevância na sociedade. “Eu sou cria do movimento social e foi assim que eu entendi minhas possibilidades no mundo, sendo uma mulher negra e da periferia. Então, esse papel de multiplicador é importante, porque eu tive a minha vida transformada e tenho a oportunidade de transformar outras vidas”, comentou Stefany. 

Malick Gomes, integrante do “Ngungas”, ainda enxerga falta de oportunidades para jovens periféricos acessarem o Ensino Superior. De acordo com ele, a necessidade de contribuir com as despesas domésticas acabam deixando esse desejo em segundo plano, o que ocasiona o abandono escolar. “É muito comum vermos jovens deixando a escola mais cedo, antes de concluir a sua formação, para trabalhar e ajudar em casa. Então, o meu sonho é que todos possam ter a oportunidade de finalizar  seus estudos, trabalhar com o que gosta e fazer o que ama”, salientou. 

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Meninas e jovens mulheres negras, indígenas e quilombolas transformam as comunidades e a cultura escolar para que sejam antirracistas e equitativas. Entendemos, portanto, que o lugar da menina negra, indígena e quilombola é na escola. Assim, vamos atuar intencionalmente para construir um sistema educativo transformador que promova a dignidade na escola.

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