Postado em: 7 abril, 2026

Projeto Caraipé fortalece saberes ancestrais e protagonismo feminino no Alto Rio Negro

O Projeto Caraipé valoriza o uso responsável da matéria viva da cerâmica tradicional

O Projeto Caraipé valoriza o uso responsável da matéria viva da cerâmica tradicional

Os saberes ancestrais atravessam gerações, e iniciativas como o Projeto Caraipé (Nohagü), realizado pela Makira E’ta, em parceria com o SETA, florescem como caminhos de resistência e futuro. Ao valorizar o uso responsável do caraipé, matéria viva da cerâmica tradicional, o programa, além de preservar a natureza, sustenta histórias, fortalece identidades e amplia possibilidades de geração de renda às mulheres indígenas. São elas responsáveis por transformar conhecimento ancestral em sustento, autonomia e dignidade, reforçando que cuidar da floresta também é garantir o bem-viver de quem faz parte dela.

“O trabalho da cerâmica é fundamental para o nosso povo, pois o caraipé é uma matéria-prima capaz de se misturar à argila e não há outra árvore que possa substituí-lo. Trata-se de uma tradição que atravessa gerações”, destaca Suzana Miguel, uma das integrantes do projeto e moradora da Comunidade Tacuruá, reserva indígena localizada na região do Alto Rio Negro, no estado do Amazonas.

A iniciativa, que propõe estratégias sustentáveis para o uso responsável da árvore de caraipé, também reforça o protagonismo feminino, pois contribui diretamente com a autonomia financeira das mulheres da comunidade.. 

Estratégias construídas no Projeto Caraipé a partir do território

Desde o início, o Projeto Caraipé foi estruturado com base na escuta ativa das comunidades e na construção coletiva de soluções. Entre as principais ações estão oficinas de etnomapeamento e etnozoneamento, que permitem identificar áreas com presença da árvore e compreender melhor o seu uso no território.

De acordo com Deise Menezes Alencar, Secretária Executiva da Makira E’ta, na primeira etapa do projeto, os resultados demonstraram a importância do processo de percepção e adaptação. “As oficinas integram conhecimentos indígenas e não indígenas, e fortaleceram o debate sobre políticas de manejo do caraipé, considerando a sua relevância para a sustentabilidade ambiental e a prática da cerâmica no território”, comentou. 

Durante as atividades, as mulheres ceramistas relataram não ter observado flores, frutos ou sementes disponíveis para coleta e destacaram a importância de não retirar mudas do ambiente natural, evitando perdas. Diante dessa realidade, o projeto ajustou a sua estratégia: em vez de estruturar uma rede de coletores, plantadores e incidência política, foi criada uma rede de manejo de caraipé, com fortalecimento do diálogo local e foco no registro, zoneamento e construção de técnicas sustentáveis de uso.

Integração de saberes e fortalecimento comunitário

A metodologia adotada integrou conhecimentos indígenas e científicos, promovendo um diálogo entre tradição e pesquisa. Esse processo também ampliou as discussões sobre mudanças climáticas, sustentabilidade econômica e políticas públicas, fortalecendo a autonomia das comunidades envolvidas.

Como próximos passos, a iniciativa busca consolidar as estratégias de manejo sustentável, ampliar parcerias institucionais e fortalecer a incidência política local, mantendo como prioridade o respeito aos saberes ancestrais e o protagonismo das mulheres indígenas.

 

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