Postado em: 4 maio, 2026

Projeto SETA leva debate sobre educação antirracista ao Fórum da ONU

Projeto SETA no Fórum da ONU

Participação no 5º Fórum Permanente de Afrodescendentes reforça articulação internacional por reparação histórica e equidade racial na educação

 

Em abril, o Projeto SETA participou da 5ª edição do Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU, realizada em Genebra, na Suíça, ampliando a sua atuação internacional em defesa da educação antirracista e da justiça reparativa. 

Presente em todas as edições do encontro desde a sua criação, a iniciativa brasileira apresentou experiências e propostas voltadas ao fortalecimento de políticas públicas de equidade racial na educação e à ampliação da articulação global em torno da agenda de reparação histórica.

Participação do Projeto SETA no Fórum da ONU fortalece incidência internacional

Para Ana Paula Brandão, Gestora do Projeto SETA e Diretora Programática da ActionAid Brasil, a presença contínua no Fórum demonstra o compromisso estratégico da iniciativa com espaços multilaterais de diálogo e construção política. 

“Esse é um ambiente rico de articulação internacional, de debate e de troca política. O movimento negro brasileiro entende, desde a Conferência de Durban, que a incidência internacional impulsiona e pressiona por avanços internos”, afirma.

Segundo ela, a ONU, ao reconhecer o tráfico de pessoas escravizadas como crime de lesa-humanidade, dá um exemplo concreto dos avanços obtidos por meio da mobilização internacional dos movimentos negros. 

“Essa foi uma vitória fundamental e um passo em direção a uma política séria de reparação”, completa a especialista.

Educação antirracista ganha espaço na agenda de justiça histórica

Durante o Fórum, o Projeto SETA promoveu o evento paralelo “Educação Antirracista na Agenda de Reparação: Diálogos Transatlânticos”, dedicado ao debate sobre estratégias de implementação de políticas educacionais antirracistas em países do Sul Global e da África.

Na avaliação de Edneia Gonçalves, Coordenadora Executiva da Ação Educativa, a educação ocupa papel central na construção de políticas efetivas de justiça reparativa.

“O desenvolvimento de currículos e processos educativos intencionalmente antirracistas constitui implicação direta do reconhecimento pela ONU do tráfico transatlântico de africanos escravizados como maior crime contra a humanidade”, destaca.

Ela acrescenta que a articulação internacional contribui para aprofundar o debate brasileiro sobre políticas de reparação adequadas às especificidades do racismo estrutural no país.

Desafios para consolidar a educação antirracista no Brasil

Apesar dos avanços institucionais, Edneia avalia que ainda há obstáculos para firmar a educação antirracista como política estruturante no sistema público de ensino.

“O processo de transformação da educação pública brasileira em expressão de justiça reparativa e do direito humano à aprendizagem emancipatória ainda não se concretizou”, afirma.

Segundo ela, esse avanço exige o enfrentamento de agendas que ameaçam os fundamentos democráticos da educação, além do fortalecimento da articulação entre organizações negras e indígenas no Brasil e na América Latina.

Participação no Fórum amplia repertório político e técnico do SETA

Além da realização do evento paralelo, os representantes do Projeto SETA acompanharam os debates de todos os painéis da programação oficial do 5º Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU.

Durante uma das sessões do Fórum, Ana Paula também destacou os impactos históricos da escravização sobre as mulheres negras e defendeu a educação como instrumento central para romper ciclos estruturais de desigualdade racial.

“Desde a escravização – pilar fundamental do capitalismo global – as mulheres foram tratadas simultaneamente como força de trabalho e como território: a mão de obra mais barata, sistematicamente explorada, racializada e violentamente controlada,” pontuou.

Ao abordar os caminhos para enfrentar esse legado histórico, a Gestora do Projeto SETA reforçou o papel estratégico da educação na construção de uma agenda de reparação.

“Elegemos a educação formal como uma das possibilidades concretas de romper com esses ciclos de violência e pobreza. Não aceitaremos nenhum futuro da educação que preserve a injustiça racial,” finalizou.

De acordo com Maria Corrêa, Especialista em Articulação do projeto, a edição deste ano foi marcada por discussões sobre os 25 anos da Conferência de Durban e pela forte presença de jovens lideranças afrodescendentes.

“Questões sobre reconhecimento, pautas raciais, racismo estrutural e reparação foram muito discutidas. A presença de jovens afrodescendentes e africanos falando por si foi muito marcante”, relata.

A participação no encontro internacional amplia o repertório político e técnico do Projeto SETA e fortalece a sua atuação na promoção de uma educação pública antirracista no Brasil.

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