Postado em: 31 outubro, 2025

Projeto SETA visita Quilombo Alto Alegre para conhecer iniciativas locais

Visita ao Quilombo Alto Alegre

Programação no Quilombo fez parte do “Encontro Formativo em Educação Escolar Quilombola”

 

Como parte do 3º Encontro Formativo em Educação Escolar Quilombola, o Projeto SETA, representado por Letícia Carlos, Consultora Digital da iniciativa, e Marcelo Perilo, especialista em monitoramento e avaliação, visitou o Quilombo Alto Alegre, em Horizonte, município do Ceará. O encontro aconteceu nos dias 11 e 12 de setembro e proporcionou um mergulho na história, na memória e nas práticas educativas que reafirmam a identidade e a resistência quilombola.

A visita faz parte de um estudo conduzido pela Universidade de Bristol e foi acompanhada, também, por Jáfia Naftali, Doutora em Educação e pesquisadora na Universidade do Reino Unido. Na ocasião, a equipe foi recebida pelas lideranças quilombolas Marleide Nascimento e Ana Eugênia, representantes da CONAQ no Ceará.

“A visita ao Quilombo Alto Alegre evidenciou como a educação quilombola é transformadora e diferenciada. Ao unir saberes formais e ancestrais a escola se torna parte da vida da comunidade, fortalece identidades, combate desigualdades e contribui para a construção de um futuro coletivo mais justo”, comenta Letícia.

Durante a programação, foi relembrada a trajetória de Nego Cazuza, escravizado, que foi acolhido pela tribo indígena Paiacu. Junto à sua companheira indígena, fundou o Quilombo Alto Alegre, iniciando uma história marcada pela resistência e união cultural. Hoje, seu legado permanece vivo, e a comunidade, já em sua sétima geração, segue fortalecendo a consciência sobre direitos, cultura e história.

 

Quilombo promove a educação antirracista e valorização da diversidade

O encontro proporcionou aos visitantes conhecer a história local e as iniciativas desenvolvidas pelos moradores. Um dos destaques foi o Alfabeto Quilombola, ferramenta pedagógica que conecta a alfabetização à história e ao cotidiano das comunidades negras. Mais do que ensinar letras, ele fortalece a autoestima das crianças e aproxima o aprendizado de sua realidade e identidade.

O Projeto Somos de Todas as Cores e a iniciativa Enraizando Saberes Quilombolas, conduzidos no território, evidenciam o compromisso com a educação antirracista, a valorização da diversidade e a transmissão de conhecimentos ancestrais. Essa vivência reforça o diferencial da educação escolar quilombola, que ultrapassa os muros da escola, se enraíza no território e nas famílias, formando sujeitos conscientes de sua história e fortalecendo os laços comunitários.

O debate sobre a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) destacou a importância de práticas pedagógicas que reconheçam a contribuição negra para a formação do Brasil e combata o racismo estrutural ainda presente na sociedade. Já a visita à Escola Maria Teodora, reconhecida várias vezes pelo Prêmio Escola Nota 10, destacou a qualidade da educação quilombola. O prêmio valoriza escolas públicas com os melhores resultados de aprendizagem, especialmente, nos anos iniciais do ensino fundamental, reconhecendo o esforço coletivo de toda a comunidade escolar. O projeto visitou ainda o Centro de Educação Infantil Maria José, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Quilombola Olímpio Nogueira Lopes e o Centro Educacional Pedro Nogueira. 

Por fim, a programação incluiu, também, a Noite Cultural, momento de celebração e partilha de expressões artísticas, música e dança, fortalecendo a identidade e a energia da comunidade.

Voltar

Central de Ajuda.

Reunimos em categorias as respostas para as suas principais dúvidas. É só clicar no assunto que procura para filtrar as perguntas já respondidas.

O racismo estrutural no Brasil tem dificultado, de forma sistêmica, o acesso ao direito a uma educação pública igualitária e de qualidade pelos estudantes negros, quilombolas e indígenas. A qualidade da educação que as crianças recebem no Brasil é profundamente segmentada por status racial e socioeconômico. E, hoje, identifica-se que as lacunas entre crianças brancas e crianças negras, quilombolas e indígenas, em todos os indicadores da educação básica, são persistentes e mais graves para jovens de 11 a 17 anos. Crianças e jovens negros, quilombolas e indígenas são os mais propensos a abandonar a escola, têm maiores taxas de exclusão e menor nível educacional. Portanto, a eles são destinados os empregos de menor prestígio e salários mais baixos quando adultos. Enquanto isso, os alunos brancos internalizam as desigualdades raciais a que são expostos nas escolas e as replicam quando adultos. Quando se observa os indicadores de aprendizagem, conclui-se também que não há apenas mais barreiras de acesso à escola para crianças negras, quilombolas e indígenas, mas, que uma vez na escola, essas crianças são menos propensas a acessar à educação de qualidade.

O Projeto SETA busca realizar ações transformadoras com base em evidências resultantes de estudos que ajudam a compreender a complexidade das relações raciais no país e as problemáticas delas decorrentes que precisam ser enfrentadas. Neste sentido, prevê uma série de estudos com recortes nacional e regionais em seus territórios de intervenção, especialmente no Amazonas, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é mapear a percepção da sociedade em geral, de profissionais da educação e estudantes sobre o racismo, as desigualdades raciais em geral e na educação, a efetividade das políticas de combate ao racismo, as lacunas de ferramentas e metodologias para fomento à equidade racial e as estratégicas bem-sucedidas e boas práticas nacionais e internacionais que podem inspirar ações de valorização da diversidade e das diferenças e de mitigação das desigualdades, especialmente na área de educação.

1) Pesquisa bianual de mapeamento de público sobre percepções do racismo pela sociedade brasileira.
2) Grupos focais bianuais sobre percepções do racismo pelas comunidades escolares.
3) Monitoramento e avaliação dos indicadores educacionais com análise dos indicadores da educação com foco em raça, gênero e território.
4) Estudos liderados pelas organizações que compõem o Projeto SETA sobre “educação escolar indígena”, “educação escolar quilombola”, “trajetória educacional de meninas negras”, “juventude negra, educação e violência”, “impacto da reforma do ensino médio no aprofundamento das desigualdades educacionais” e “construção participativa de indicadores e diagnóstico sobre qualidade na educação e relações raciais”.
Todas essas produções são/serão disponibilizadas publicamente para auxiliar a sociedade na construção de narrativas qualificadas, com base no retrato da realidade, em defesa da equidade racial na educação, além de orientar ações do projeto.

O PROJETO SETA – SISTEMA DE EDUCAÇÃO PARA UMA TRANSFORMAÇÃO ANTIRRACISTA É UM PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO W. K. KELLOGG, DESDE 2021, QUE REÚNE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM ATUAÇÃO CONJUNTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANTIRRACISTA E DE QUALIDADE.