Postado em: 30 setembro, 2026
SETA lança e-book de acessibilidade antirracista no Geledés
Evento reuniu autoras para debater a interseccionalidade no e-book de acessibilidade
O Projeto SETA lançou o e-book “Orientações de Acessibilidade Antirracista na Educação”, a partir de uma abordagem inédita sobre a educação antirracista e a anticapacitista. O evento foi realizado na quinta-feira (24/09), na sede do Geledés – Instituto da Mulher Negra, em São Paulo. A organização é uma das instituições que fazem parte da aliança do Projeto SETA. Durante o encontro, houve uma roda de conversa sobre o processo de construção do e-book, com a participação das co- autoras Luciana Viegas e Marta Gil e a consultora crítica, Amanda Soares.
Nesse sentido, a publicação tem como objetivo promover a equidade na educação por meio do fortalecimento de práticas interseccionais de inclusão. Construído pela própria equipe de Educação do SETA, o material está disponível gratuitamente no site oficial do projeto.
Interseccionalidade entre o racismo e o capacitismo
“O racismo e o capacitismo não são opressões separadas, elas se alimentam mutuamente e se agravam quando interseccionalizadas com outras categorias, como gênero e classe. A população negra com deficiência é atravessada por um duplo cerceamento histórico do direito à educação. Uma abordagem verdadeiramente inclusiva não pode reproduzir o capacitismo, o racismo, o sexismo ou qualquer outra forma de opressão. Essas dimensões precisam ser enfrentadas de forma articulada, não isolada”, explica Luciana Ribeiro, Especialista em Educação do Projeto SETA.
Nesse contexto, a obra traz metodologias de ensino que valorizam as diversas formas de saber, com uma visão interseccional que congrega para as práticas pedagógicas e apresenta uma articulação com o Desenho Universal para a Aprendizagem.
Para além de quem atua na área educacional, o livro digital proporciona conhecimento para a sociedade civil, assumindo o espaço de um conjunto de possibilidades com a finalidade de promover debates sobre o tema nas relações interpessoais.
As vivências por trás do e-book de acessibilidade
Antes de mais nada, vale destacar que as três escritoras envolvidas na produção do livro tiveram experiências individuais dentro da educação. Por conta disso, o bate-papo sobre o e-book de acessibilidade foi recheado de diferentes perspectivas.
Por exemplo, Luciana Viegas, Fundadora do Instituto Vidas Negras com Deficiência Importam, citou sua vivência com educação inclusiva e a “barreira atitudinal” presente nas escolas. O conceito representa qualquer atitude ou estigma que impeçam a inclusão e convivência de indivíduos com deficiência na sociedade.
“Ninguém faz inclusão sozinho. A escola precisa derrubar uma barreira, a barreira atitudinal, uma das maiores que a gente tem. Ela pode vir do professor, do gestor, da merendeira. É uma barreira que todos nós podemos criar”, explicou.
Do mesmo modo, Marta Gil, Coordenadora Executiva do Amankay, instituto de pesquisas, destacou a responsabilidade de todos os integrantes do ambiente educacional no ensino dos alunos.
“Na escola, todo mundo é educador: desde à direção à secretaria, passando pela pessoa da faxina e pelo pessoal da cantina. Agora, o educador é o professor, a responsabilidade dele é muito grande ”, pontuou.
Já a consultora Amanda Soares propôs a compreensão das políticas inclusivas como reparação histórica, semelhante às antirracistas. Nesse sentido, ela reforçou como as terminologias categorizam pessoas com deficiência na sociedade e criticou a precariedade de estudos acerca da história desses indivíduos.
“Em que momento a gente vai começar a discutir história, identidade, estética, sentimentos, a sociabilidade dessas pessoas [com deficiência]?”, questionou.
O bate-papo foi mediado por Karoline Santos, Analista de Educação do Projeto SETA, com tradução em tempo real em libras. O debate ainda abrangeu outros assuntos como a própria produção do e-book de acessibilidade, os avanços e desafios na militância e a responsabilidade de toda sociedade no processo de inclusão.
Assim, conteúdo do e-book de acessibilidade é destinado às pessoas que atuam na comunidade escolar e, ainda, aquelas interessadas e comprometidas com uma educação inclusiva e antirracista.