Postado em: 5 dezembro, 2025

Com apoio do Projeto SETA, estudantes realizam intercâmbio nos EUA

Programa Abdias do Nascimento

Através do Programa Abdias do Nascimento, que teve apoio do SETA, alunos participaram de intercâmbio na Universidade de Maryland

 

O ano de 2025 marcou a primeira edição do Programa Acadêmico Abdias Nascimento, intercâmbio que reuniu 14 acadêmicos para cursar um semestre de mestrado ou doutorado sanduíche na Universidade de Maryland, em Baltimore, nos Estados Unidos. A iniciativa teve apoio do Projeto SETA.

O curso foi direcionado para estudantes pretos, pardos, indígenas, quilombolas, populações do campo e pessoas com deficiência, matriculados nos programas de pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

Fruto daqueles que abriram caminhos

De acordo com Elizabeth Alves, Doutoranda em Educação pela Unicamp e uma das contempladas pelo programa, ter essa oportunidade é se reconhecer como fruto de quem abriu caminhos de pessoas pretas que iniciaram a jornada anteriormente. 

“Andar pela universidade e observar tantos estudantes negros foi muito emocionante. Além disso, ver mulheres como eu, em altos postos de trabalho com a reitora da Universidade, e, ainda, conhecer as universidades históricas, exclusivas para a população negra, também foi muito importante”, comenta Elizabeth. 

Para André Pimentel, Doutorando em Antropologia pela Unicamp, a proposta do programa é relevante pois toca num tema sensível: a democratização do acesso à internacionalização. 

“É algo cada vez mais exigido para quem deseja seguir a carreira de pesquisador, mas que costuma ser de difícil acesso, especialmente, para estudantes negros, de baixa renda e beneficiários de ações afirmativas”, salienta. 

O programa Abdias do Nascimento é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e tem como objetivo promover a igualdade racial, combater o racismo e valorizar a cultura afro-brasileira e indígena, além de promover o desenvolvimento de pesquisas nessas áreas. 

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O racismo estrutural no Brasil tem dificultado, de forma sistêmica, o acesso ao direito a uma educação pública igualitária e de qualidade pelos estudantes negros, quilombolas e indígenas. A qualidade da educação que as crianças recebem no Brasil é profundamente segmentada por status racial e socioeconômico. E, hoje, identifica-se que as lacunas entre crianças brancas e crianças negras, quilombolas e indígenas, em todos os indicadores da educação básica, são persistentes e mais graves para jovens de 11 a 17 anos. Crianças e jovens negros, quilombolas e indígenas são os mais propensos a abandonar a escola, têm maiores taxas de exclusão e menor nível educacional. Portanto, a eles são destinados os empregos de menor prestígio e salários mais baixos quando adultos. Enquanto isso, os alunos brancos internalizam as desigualdades raciais a que são expostos nas escolas e as replicam quando adultos. Quando se observa os indicadores de aprendizagem, conclui-se também que não há apenas mais barreiras de acesso à escola para crianças negras, quilombolas e indígenas, mas, que uma vez na escola, essas crianças são menos propensas a acessar à educação de qualidade.

O Projeto SETA busca realizar ações transformadoras com base em evidências resultantes de estudos que ajudam a compreender a complexidade das relações raciais no país e as problemáticas delas decorrentes que precisam ser enfrentadas. Neste sentido, prevê uma série de estudos com recortes nacional e regionais em seus territórios de intervenção, especialmente no Amazonas, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é mapear a percepção da sociedade em geral, de profissionais da educação e estudantes sobre o racismo, as desigualdades raciais em geral e na educação, a efetividade das políticas de combate ao racismo, as lacunas de ferramentas e metodologias para fomento à equidade racial e as estratégicas bem-sucedidas e boas práticas nacionais e internacionais que podem inspirar ações de valorização da diversidade e das diferenças e de mitigação das desigualdades, especialmente na área de educação.

1) Pesquisa bianual de mapeamento de público sobre percepções do racismo pela sociedade brasileira.
2) Grupos focais bianuais sobre percepções do racismo pelas comunidades escolares.
3) Monitoramento e avaliação dos indicadores educacionais com análise dos indicadores da educação com foco em raça, gênero e território.
4) Estudos liderados pelas organizações que compõem o Projeto SETA sobre “educação escolar indígena”, “educação escolar quilombola”, “trajetória educacional de meninas negras”, “juventude negra, educação e violência”, “impacto da reforma do ensino médio no aprofundamento das desigualdades educacionais” e “construção participativa de indicadores e diagnóstico sobre qualidade na educação e relações raciais”.
Todas essas produções são/serão disponibilizadas publicamente para auxiliar a sociedade na construção de narrativas qualificadas, com base no retrato da realidade, em defesa da equidade racial na educação, além de orientar ações do projeto.

O PROJETO SETA – SISTEMA DE EDUCAÇÃO PARA UMA TRANSFORMAÇÃO ANTIRRACISTA É UM PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO W. K. KELLOGG, DESDE 2021, QUE REÚNE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM ATUAÇÃO CONJUNTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANTIRRACISTA E DE QUALIDADE.