Postado em: 19 outubro, 2026
Educadores são indispensáveis para fim da exclusão étnico-racial em sala de aula
Menos de 40% das escolas municipais têm protocolos contra a exclusão étnico-racial, diz MEC
A exclusão étnico-racial é uma realidade das salas de aula brasileiras. O racismo estrutural que já permeia outros segmentos da sociedade representa, também, uma parcela relevante das hostilidades e crimes que atingem a população negra, indígena e quilombola nas escolas de todo o país.
Um levantamento do Ministério da Educação (MEC) mostra que menos de 40% dos colégios municipais do país têm protocolos para lidar com o racismo. Entre os estaduais, esse número chega a 59,3%.
Esse comportamento pode ser qualificado como exclusão escolar, que é o processo pelo qual crianças, adolescentes ou jovens são impedidos de acessar, permanecer, participar plenamente ou aprender na escola, em condições de igualdade com os demais estudantes.
Nesse cenário, a participação dos profissionais do setor é fundamental para reverter esse quadro. Conscientizar a comunidade educacional sobre a importância do cumprimento das Leis 10.639/03 e 11.645/08 é medida indispensável a fim de promover uma formação verdadeiramente antirracista nos espaços de ensino brasileiros.
Práticas no ambiente escolar
Partindo dessa premissa, há pontos essenciais a serem cumpridos com o objetivo de extinguir a exclusão étnico-racial nos locais de aprendizado. Uma delas tem relação com a postura adotada pelo corpo educacional e as práticas de implementação que fazem parte do dia a dia das instituições de ensino.
Os desafios impostos aos profissionais são bastante conhecidos. Por isso, os esforços não passam apenas pela boa vontade deles, que, na maioria das vezes, se mostram abertos a contribuir. É preciso ter diretrizes claras e um plano de ação liderado pela gestão, que apoie e fomente a adoção de medidas que resultem na inserção dos pontos já previstos na legislação no currículo escolar.
“A educação é um meio muito eficaz a fim de combater a exclusão étnico-racial. Trazer informação, contextualizar sobre o apagamento da história das populações minorizadas e reforçar a importância da contribuição delas para a formação da sociedade brasileira ajuda a reocupar posições que sempre pertenceram a essas pessoas”, explica Luciana Ribeiro, Especialista em Educação do Projeto SETA.
Medidas para evitar a exclusão étnico-racial
Com a finalidade de alcançar esse resultado, a Nova Escola publicou o documento “Práticas Antirracistas na Sala de Aula”. De acordo com o manual, uma boa medida é a criação de uma lista de termos que devem ser ressignificados para assumir essa abordagem. O objetivo é tornar a dinâmica mais inclusiva, eliminando expressões eurocêntricas, discriminatórias e que geram desconforto.
Outra ação recomendada é concentrar propostas educacionais antirracistas direcionadas ao ciclo de alfabetização e aos anos iniciais de estudo. O ensino é um momento único dentro da trajetória educacional e tem relevância preponderante na formação dos cidadãos.
Uma abordagem antirracista e que contribui no combate à exclusão étnico-racial precisa de envolvimento da gestão educacional para ter sucesso. Os profissionais que estão na linha de frente das unidades de ensino são aliados de primeira hora, mas precisam de apoio estrutural de modo a fazer valer o que a legislação determina. Os normativos legais datam de, pelo menos, 23 anos atrás. Já é hora de entrarem em vigor com o intuito de transformar a realidade nacional.