Postado em: 17 setembro, 2026
Mulheres indígenas lideram movimento pela educação escolar indígena no país
Mulheres indígenas lutam pela implementação da Lei 11.645/08 nas escolas brasileiras
Celebrado em setembro, o Mês Internacional da Mulher Indígena é mais uma oportunidade para a reflexão sobre a importância da educação antirracista a favor do fortalecimento da história, das memórias e dos saberes dos povos indígenas em sala de aula.
Por isso, é essencial ressaltar exemplos de mulheres indígenas engajadas no tema, que lutam para que os normativos legais sejam efetivados pelas instituições públicas e corrijam ações que resultaram em um apagamento histórico dessa população e suas culturas.
A importância dos normativos legais
A Lei 11.645/08 determina o estudo da história e da cultura africana, afro-brasileira e indígena nos ensinos fundamental e médio de escolas públicas e privadas do Brasil, mas ainda depende de execução sólida nas instituições de ensino do país.
Apesar do esforço e da dedicação das mulheres indígenas, o desafio é enorme. O racismo além de estar presente em práticas explícitas de discriminação, também, se manifesta, fortemente, por mecanismos simbólicos e institucionais que naturalizam a falta de equidade racial. o Censo Escolar de 2023 indicou que, das 178,5 mil escolas de educação básica brasileiras, apenas 2% oferecem educação indígena. Já o Censo Escolar de 2024 trouxe outro dado alarmante para a comunidade: a educação indígena é a que registra a maior distorção idade-série no 6º ano do ensino fundamental, atingindo o patamar de 37,6%.
“Ter uma lei que obrigue esse tipo de abordagem nas salas de aula é um ponto importantíssimo a fim de romper a barreira do racismo no ambiente de ensino. Mas, para que essa aplicação torne-se uma realidade, é preciso que a estrutura educacional seja adaptada e é nesse ponto que encontramos a maior dificuldade de implementação”, destaca Ana Paula Brandão, co-diretora da ActionAid e gestora do projeto SETA.
Mulheres indígenas lutam pela implementação das leis
A dedicação das mulheres indígenas pelo cumprimento da Lei 11.645/08 une representantes em todo o país. Uma delas é Marina Cíntia da Silva Guajajara. Primeira mulher mestre em Linguística Guajajara/Tenetehara, é professora, ativista e líder comunitária. Ela atua como vice-coordenadora da Articulação das Mulheres Indígenas do Maranhão (AMIMA) e desenvolve pesquisas voltadas para a preservação do idioma nativo, educação escolar indígena diferenciada e agroecologia na Terra Indígena Araribóia.
Nessa mesma linha, outro exemplo relevante é o de Sílvia Krikati. Educadora e liderança do povo Krikati na região do cerrado maranhense, foi gestora escolar em território Krikati e uma das impulsionadoras do projeto de Formação Continuada no Magistério Indígena, focado na construção de diretrizes pedagógicas comunitárias, diferenciadas e interculturais para as aldeias.
Assim, esses são apenas alguns exemplos de mulheres indígenas engajadas na defesa do cumprimento das leis em todo o território nacional. A estrutura educacional traz impedimentos para a completa implementação da lei, mas essa iniciativa pode transformar muitas realidades Brasil afora.
Mas, vale reforçar que entre a existência da lei e a prática escolar, há empecilhos na formação, nos materiais didáticos, nas próprias condições de trabalho, como na visão e entendimento sobre o ensino.
Foto: Professora indígena Elisângela Dell-Armelina Suruí, vencedora do Prêmio Educador Nota 10, de 2017. Renato Pizzutto/ FVC.