Postado em: 18 julho, 2025

Projeto SETA participa de lançamento do Caderno PNE Antirracista

Foto_ProjetoSETA

Documento reúne conjunto de diretrizes para que o novo Plano Nacional de Educação seja um instrumento de combate ao racismo 

 

O Distrito Federal foi o ponto de encontro para o lançamento do Caderno PNE Antirracista, no dia 01 de julho. O documento reúne um conjunto de diretrizes para que o novo Plano Nacional de Educação seja um instrumento real de combate ao racismo e promova a igualdade racial. O Projeto SETA foi representado por Maria Corrêa, Especialista em Articulação e Gestão Educacional.

“O caderno é uma ferramenta essencial na luta por uma educação mais justa e igualitária, que valorize a cultura e a história afro-indígena, e que combata o racismo estrutural e garanta políticas públicas calcadas na efetiva implementação das leis 10.639/03 e 11.645/08”, comenta Maria Corrêa.


Parlamentares participam do lançamento do Caderno PNE Antirracista

Parlamentares da Frente Parlamentar Mista de Educação e da Frente Parlamentar Mista Antirracista, representantes de organizações do movimento negro e da sociedade Civil, e pesquisadores e especialistas em Educação para as relações étnico-raciais marcaram presença no lançamento do Caderno PNE Antirracista

De acordo com a deputada Dandara Tonantzin (PT-MG), uma das coordenadoras do projeto, a atuação do grupo responsável pelo Caderno será para garantir o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial. 

“Em um país com o perfil demográfico e a história como o Brasil, as formulações do Plano Nacional de Educação não podem ser desassociadas das concepções de uma educação verdadeiramente antirracista, como pré-requisito para que o país finalmente supere um déficit civilizatório cuja origem não é outra senão o flagelo de 300 anos de escravidão”, salienta a parlamentar.  

O caderno reúne diretrizes para que o Plano Nacional de Educação (PNE) – com vigência entre 2024 e 2034 – seja modelo de orientação de políticas públicas na área da educação. O seu objetivo é, também, contemplar uma educação com representatividade, valorizando a educação negra, quilombola e indígena; fortalecer as políticas afirmativas, como a formação inclusiva de docentes; e estabelecer políticas públicas de equidade racial com metas e orçamentos. 

Ainda durante o encontro, membros da sociedade civil organizada tiveram a oportunidade de expor a necessidade de uma real implementação das leis para que se tenha qualidade na educação.

 

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O racismo estrutural no Brasil tem dificultado, de forma sistêmica, o acesso ao direito a uma educação pública igualitária e de qualidade pelos estudantes negros, quilombolas e indígenas. A qualidade da educação que as crianças recebem no Brasil é profundamente segmentada por status racial e socioeconômico. E, hoje, identifica-se que as lacunas entre crianças brancas e crianças negras, quilombolas e indígenas, em todos os indicadores da educação básica, são persistentes e mais graves para jovens de 11 a 17 anos. Crianças e jovens negros, quilombolas e indígenas são os mais propensos a abandonar a escola, têm maiores taxas de exclusão e menor nível educacional. Portanto, a eles são destinados os empregos de menor prestígio e salários mais baixos quando adultos. Enquanto isso, os alunos brancos internalizam as desigualdades raciais a que são expostos nas escolas e as replicam quando adultos. Quando se observa os indicadores de aprendizagem, conclui-se também que não há apenas mais barreiras de acesso à escola para crianças negras, quilombolas e indígenas, mas, que uma vez na escola, essas crianças são menos propensas a acessar à educação de qualidade.

O Projeto SETA busca realizar ações transformadoras com base em evidências resultantes de estudos que ajudam a compreender a complexidade das relações raciais no país e as problemáticas delas decorrentes que precisam ser enfrentadas. Neste sentido, prevê uma série de estudos com recortes nacional e regionais em seus territórios de intervenção, especialmente no Amazonas, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é mapear a percepção da sociedade em geral, de profissionais da educação e estudantes sobre o racismo, as desigualdades raciais em geral e na educação, a efetividade das políticas de combate ao racismo, as lacunas de ferramentas e metodologias para fomento à equidade racial e as estratégicas bem-sucedidas e boas práticas nacionais e internacionais que podem inspirar ações de valorização da diversidade e das diferenças e de mitigação das desigualdades, especialmente na área de educação.

1) Pesquisa bianual de mapeamento de público sobre percepções do racismo pela sociedade brasileira.
2) Grupos focais bianuais sobre percepções do racismo pelas comunidades escolares.
3) Monitoramento e avaliação dos indicadores educacionais com análise dos indicadores da educação com foco em raça, gênero e território.
4) Estudos liderados pelas organizações que compõem o Projeto SETA sobre “educação escolar indígena”, “educação escolar quilombola”, “trajetória educacional de meninas negras”, “juventude negra, educação e violência”, “impacto da reforma do ensino médio no aprofundamento das desigualdades educacionais” e “construção participativa de indicadores e diagnóstico sobre qualidade na educação e relações raciais”.
Todas essas produções são/serão disponibilizadas publicamente para auxiliar a sociedade na construção de narrativas qualificadas, com base no retrato da realidade, em defesa da equidade racial na educação, além de orientar ações do projeto.

O PROJETO SETA – SISTEMA DE EDUCAÇÃO PARA UMA TRANSFORMAÇÃO ANTIRRACISTA É UM PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO W. K. KELLOGG, DESDE 2021, QUE REÚNE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM ATUAÇÃO CONJUNTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANTIRRACISTA E DE QUALIDADE.