Postado em: 1 julho, 2026

Seminário Internacional destaca monitoramento e protagonismo das juventudes na promoção da equidade racial na educação

Seminário Internacional Projeto SETA

Segundo dia do encontro aprofundou debates sobre avaliação de políticas públicas para ampliar implementação da educação antirracista

 

O segundo dia do Seminário Internacional Educação para as Relações Étnico-Raciais em perspectiva negra, indígena e quilombola, promovido pelo Projeto SETA, aprofundou as discussões sobre os desafios e caminhos para fortalecer a implementação de políticas públicas voltadas à equidade racial na educação

Reunindo representantes do poder público, pesquisadores, movimentos sociais e organismos internacionais, as discussões deram continuidade aos temas abordados na abertura. Os principais destaques do primeiro dia podem ser conferidos aqui.

Estratégias para a implementação da educação antirracista

Um dos destaques da programação de quarta-feira foi a mesa dedicada às estratégias necessárias para fortalecer a implementação da educação antirracista em diferentes contextos nacionais e locais. Participaram do debate Evelin Buenano, do Peru; Katia Regis, do Ministério da Igualdade Racial, representando o Programa Caminhos Amefricanos; e Zama Mthunzi, da ActionAid Internacional e do projeto GARJE, com mediação de Fernanda Rodrigues, da UFMA. A conversa abordou caminhos para ampliar a cooperação entre governos, organizações da sociedade civil e instituições de ensino na promoção da equidade racial e do direito à educação. 

Durante o debate, foi evidenciada a importância das articulações entre movimentos sociais, pesquisadores, gestores públicos e organismos internacionais para garantir que as políticas educacionais sejam construídas com base nas realidades dos territórios e nas demandas das populações historicamente excluídas

Além disso, os participantes defenderam a valorização das experiências produzidas no Sul Global como caminho para a construção de soluções mais conectadas à realidade dos países latino-americanos.

“Precisamos produzir conhecimento a partir do Sul Global para que nossas histórias sejam contadas pelas nossas próprias perspectivas”, reforçou Kátia Reges, Coordenadora-geral de Justiça Racial e Combate ao Racismo do Ministério da Igualdade Racial.

Dados, monitoramento e aprendizagem para a equidade racial

A sexta mesa do evento aprofundou as discussões sobre a produção e o uso de dados para orientar políticas públicas voltadas à equidade racial, de gênero e territorial. Participaram do debate Marcelo Perilo, do SETA; Wesley Matheus, do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO); Luciano Pereira da Silva, do IPEA; e João Gabriel, da UFU e do SETA, com mediação de Luciana Ribeiro, do SETA. Os participantes destacaram a importância de aprimorar sistemas de informação e monitoramento capazes de evidenciar desigualdades, qualificar a tomada de decisões e fortalecer a implementação de políticas públicas voltadas à promoção da equidade educacional. 

Além dos indicadores quantitativos, o debate destacou a importância de valorizar experiências, trajetórias e narrativas produzidas por comunidades negras, indígenas e quilombolas. Nesse sentido, os especialistas defenderam que a produção de conhecimento deve contemplar tanto os números quanto as vivências dos sujeitos impactados pelas políticas públicas.

“Uma avaliação comprometida com a equidade racial precisa ser democrática, intercultural e capaz de transformar realidades”, analisou Wesley Matheus, Secretário Nacional de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento e Orçamento.

Autoavaliação participativa como instrumento de transformação

A temática das experiências de autoavaliação dos Indicadores da Qualidade na Educação (INDIQUEs), metodologia desenvolvida pela Ação Educativa e atualmente apoiada pelo Projeto SETA, foi outro ponto alto do evento. A proposta, de caráter participativo, busca fortalecer as práticas antirracistas nas escolas. Participaram da mesa Monica Pinto, do UNICEF, e Ana Lúcia Silva e Souza, da UFBA, com mediação de Edneia Gonçalves, da Ação Educativa. As expositoras destacaram que a avaliação deve ser compreendida como uma ferramenta de aprendizagem institucional, de aperfeiçoamento contínuo e de fortalecimento das comunidades escolares. 

Além disso, ressaltaram a relevância da participação ativa de estudantes, famílias, educadores e gestores na construção de ambientes escolares mais inclusivos, democráticos e comprometidos com a equidade racial. Dessa forma, a autoavaliação aparece como uma estratégia capaz de transformar práticas pedagógicas e fortalecer a cultura institucional das escolas.

“A autoavaliação permite que a escola reconheça seus desafios, fortaleça seus acertos e avance coletivamente na construção de uma educação antirracista”, afirmou Ana Lúcia Silva e Souza, Professora da Universidade Federal da Bahia.

Juventudes negras, indígenas e quilombolas como protagonistas

Com a participação de Herbert Alencar, da Makira E’ta; Joellen Lima, da Uneafro Brasil; e Shirley Pimentel, da CONAQ, e mediação de Avanildo Duque, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a oitava mesa destacou o reconhecimento de jovens e adolescentes como sujeitos políticos capazes de contribuir para a construção de políticas educacionais mais justas e inclusivas. 

As discussões abordaram temas como participação social, fortalecimento das identidades, acesso à educação e construção de oportunidades destinadas às juventudes. Além disso, os especialistas defenderam que políticas públicas eficazes precisam considerar as experiências e perspectivas dos próprios jovens, valorizando seu papel na transformação social.

Avanços, desafios e os próximos passos da coalizão SETA

A mesa de encerramento reuniu Suelaine Carneiro (Geledés – Instituto da Mulher Negra), Avanildo Duque (Campanha Nacional pelo Direito à Educação), Givânia Silva (CONAQ), Herbert Alencar (Makira E’ta), Gabriel Salles (UNEafro Brasil), Ana Paula Brandão (ActionAid/SETA) e Edneia Gonçalves (Ação Educativa), com mediação de Marcelo Perilo (SETA). O encontro promoveu uma reflexão coletiva sobre os avanços alcançados e os desafios que permanecem, marcando um momento de balanço dos quatro primeiros anos do Projeto SETA, já em sua metade de execução, e de projeção das ações que seguirão até 2030. 

Os participantes destacaram a importância da atuação da sociedade civil na conquista e no fortalecimento de políticas educacionais antirracistas e apoiaram a ampliação da produção de conhecimento, do controle social, do enfrentamento ao racismo religioso e da articulação entre organizações do Brasil, da América Latina e do Sul Global

Também foram apontados como prioridades o fortalecimento da educação escolar indígena e quilombola, a produção de dados qualificados e a ampliação das redes de cooperação internacional.

“Tudo isso que foi discutido aqui só foi possível porque existe sociedade civil, existe movimento negro, existe movimento indígena e existe movimento quilombola”, ressaltou Ana Paula Brandão, Co-diretora executiva da ActionAid Brasil e gestora do Projeto SETA.

Ao encerrar o seminário, os porta-vozes reforçaram a necessidade de manter a articulação entre organizações, movimentos sociais e instituições públicas para garantir que as políticas de equidade racial avancem nos territórios e alcancem quem mais precisa. A construção de redes latino-americanas, o fortalecimento da participação social e a defesa da educação como instrumento de justiça racial aparecem como prioridades para os próximos anos. 

Nesse contexto, Gabriel Salles, coordenador do Núcleo Nego Bispo da UNEafro Brasil, destacou que “os jovens não são apenas destinatários das políticas públicas; são protagonistas da transformação que queremos construir”. 

O evento reforça  o papel do  Projeto SETA como um importante espaço de articulação e incidência política em defesa da educação antirracista no Brasil e na América Latina.

“A gente não encerra, a gente só começa”, finalizou Ana Paula Brandão.

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Central de Ajuda

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Aprimoramento e implementação de políticas públicas de educação que garantam qualidade, equidade e oferta contextualizada, por meio de influência e/ou apoio a formuladores de políticas e autoridades educacionais em todos os níveis, assegurando, assim, a implementação de políticas públicas educacionais antirracistas e sensíveis a gênero. Estas políticas devem considerar os eixos de fortalecimento dos marcos legais da educação antirracista, de programas de formação de profissionais da educação, produção de material didático e paradidático, gestão democrática e participação social, monitoramento e avaliação de indicadores de equidade e condições institucionais com investimentos financeiros, humanos e materiais.

O diálogo intergeracional sobre racismo, gênero e educação é desenvolvido em lares, escolas, locais de trabalho e na mídia por meio de diálogo nacional e advocacy sobre as temáticas na educação e na sociedade. Assim, será construída a intolerância ao racismo, às violências baseadas em gênero, desigualdades e violações de direitos e a defesa da promoção da justiça social, racial e de gênero na sociedade brasileira.

Crianças, jovens e estudantes negros, quilombolas e indígenas atuantes na transformação das comunidades e na cultura escolar, para que sejam antirracistas e equitativas, garantindo o reconhecimento dos seus saberes e protagonismo como elementos essenciais para alcançar as mudanças esperadas.

O PROJETO SETA – SISTEMA DE EDUCAÇÃO PARA UMA TRANSFORMAÇÃO ANTIRRACISTA É UM PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO W. K. KELLOGG, DESDE 2021, QUE REÚNE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM ATUAÇÃO CONJUNTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANTIRRACISTA E DE QUALIDADE.