Postado em: 22 julho, 2025

SETA entrevista Kimberly de Souza, jovem responsável por oficinas de Bonecas Abayomi

Boneca Abayomi - WWKF KELLOGG

Bonecas Abayomi promovem autoestima e valorização da identidade negra

Criadas pela artesã Lena Martins, na década de 1980, com o objetivo de promover a autoestima e a valorização da identidade negra, as bonecas Abayomi são produzidas, manualmente, com retalhos de tecido preto e sem costura. Entretanto, elas não são um simples brinquedo, mas, sim, instrumentos pedagógicos poderosos usados em escolas e projetos sociais para promover a educação antirracista e estimular o orgulho étnico-racial. 

Em entrevista ao SETA, Kimberly de Souza, moradora do Quilombo do Cafundó, localizado em Salto de Pirapora, município a cerca de 121 km da capital, São Paulo, falou sobre a relevância deste símbolo de história, cultura e pertencimento. 

A jovem, de 19 anos, foi a responsável por ministrar a oficina para confecção das bonecas durante o encontro “Experiência de Aprendizagem sobre Equidade Racial 2030”, promovido pela Fundação W. K. Kellogg, em parceria com o SETA, em maio deste ano. Confira!

1: As bonecas Abayomi foram criadas pela artesã Lena Martins, na década de 1980, com o objetivo de promover a autoestima e a valorização da identidade negra. Como você avalia essa iniciativa? Acha que essas bonecas passam essas mensagens, principalmente, para as gerações atuais? 

A iniciativa foi de extrema importância, pois a mensagem foi bem passada, a maioria dos jovens que vêm ao Quilombo já têm essa visão da valorização da identidade negra e já procuram saber um pouco da história antes da visita. 

2: Você realizou alguma formação para ser instrutora dessa oficina? O que te gerou interesse?

Não tive formação, o fato de ser uma boneca preta e fazer parte da minha ancestralidade me chamou a atenção.Com isso, tive curiosidade de aprender mais e, com o tempo, fui me aperfeiçoando.

3: Quais as suas percepções a respeito da oficina de bonecas Abayomi? Sente que os participantes têm muitas curiosidades? Eles buscam mais pela oficina em si ou pelo significado que as bonecas carregam? 

É uma oficina bastante procurada. A maioria dos participantes fazem perguntas e interagem, alguns buscam por ela e acabam se interessando pela história, já outros conhecem um pouco da história e querem aprender a fazer a boneca, tem uns que nunca viram.. mas, no final, todos levam um pouco do significado para si.

4: Para você, qual a importância do seu território oferecer essas oficinas para os visitantes e, com isso, enaltecer a cultura afro-brasileira?

O ponto mais relevante é de não deixar nossa cultura morrer e nunca esquecer o que nossos ancestrais sofreram para que pudéssemos estar onde chegamos hoje, pois ver as pessoas valorizando e tendo curiosidade pela nossa história é muito gratificante. 

5: Quando e por que surgiu a ideia de incluir as oficinas de bonecas Abayomi no cronograma de atividades do Quilombo? 

Assim que conhecemos a história da boneca, entendemos a relevância e decidimos realizar a oficina no Quilombo, pois faz parte da história e nos representa.

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O racismo estrutural no Brasil tem dificultado, de forma sistêmica, o acesso ao direito a uma educação pública igualitária e de qualidade pelos estudantes negros, quilombolas e indígenas. A qualidade da educação que as crianças recebem no Brasil é profundamente segmentada por status racial e socioeconômico. E, hoje, identifica-se que as lacunas entre crianças brancas e crianças negras, quilombolas e indígenas, em todos os indicadores da educação básica, são persistentes e mais graves para jovens de 11 a 17 anos. Crianças e jovens negros, quilombolas e indígenas são os mais propensos a abandonar a escola, têm maiores taxas de exclusão e menor nível educacional. Portanto, a eles são destinados os empregos de menor prestígio e salários mais baixos quando adultos. Enquanto isso, os alunos brancos internalizam as desigualdades raciais a que são expostos nas escolas e as replicam quando adultos. Quando se observa os indicadores de aprendizagem, conclui-se também que não há apenas mais barreiras de acesso à escola para crianças negras, quilombolas e indígenas, mas, que uma vez na escola, essas crianças são menos propensas a acessar à educação de qualidade.

O Projeto SETA busca realizar ações transformadoras com base em evidências resultantes de estudos que ajudam a compreender a complexidade das relações raciais no país e as problemáticas delas decorrentes que precisam ser enfrentadas. Neste sentido, prevê uma série de estudos com recortes nacional e regionais em seus territórios de intervenção, especialmente no Amazonas, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é mapear a percepção da sociedade em geral, de profissionais da educação e estudantes sobre o racismo, as desigualdades raciais em geral e na educação, a efetividade das políticas de combate ao racismo, as lacunas de ferramentas e metodologias para fomento à equidade racial e as estratégicas bem-sucedidas e boas práticas nacionais e internacionais que podem inspirar ações de valorização da diversidade e das diferenças e de mitigação das desigualdades, especialmente na área de educação.

1) Pesquisa bianual de mapeamento de público sobre percepções do racismo pela sociedade brasileira.
2) Grupos focais bianuais sobre percepções do racismo pelas comunidades escolares.
3) Monitoramento e avaliação dos indicadores educacionais com análise dos indicadores da educação com foco em raça, gênero e território.
4) Estudos liderados pelas organizações que compõem o Projeto SETA sobre “educação escolar indígena”, “educação escolar quilombola”, “trajetória educacional de meninas negras”, “juventude negra, educação e violência”, “impacto da reforma do ensino médio no aprofundamento das desigualdades educacionais” e “construção participativa de indicadores e diagnóstico sobre qualidade na educação e relações raciais”.
Todas essas produções são/serão disponibilizadas publicamente para auxiliar a sociedade na construção de narrativas qualificadas, com base no retrato da realidade, em defesa da equidade racial na educação, além de orientar ações do projeto.

O PROJETO SETA – SISTEMA DE EDUCAÇÃO PARA UMA TRANSFORMAÇÃO ANTIRRACISTA É UM PROJETO APOIADO PELA FUNDAÇÃO W. K. KELLOGG, DESDE 2021, QUE REÚNE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS EM ATUAÇÃO CONJUNTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA ANTIRRACISTA E DE QUALIDADE.